Guaporé
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O assentamento de imigrantes italianos que eventualmente viria a formar o município de Guaporé começou no início do século XIX na área onde hoje é o município de Muçum. Nesta mesma época, criadores de gado alemães da região de Montenegro instalaram-se no então povoado de Boa Vista, atual município de São Valentim do Sul.[6] Antes disso, em 1635 padres jesuítas e indígenas percorreram a região do atual município de Guaporé, em especial a bacia dos rios Taquari-Antas, advindos da redução de Santa de Teresa do Igaí, que localizava-se próxima a atual cidade de Passo Fundo.[7] Em 1892 foi criada a Colônia Guaporé, em terras pertencentes aos municípios de Lajeado e Passo Fundo. O diretor da colônia, Eng. José Montaury de Aguiar Leitão, designou ao Eng. Vespasiano Rodrigues Corrêa a incumbência de demarcar as terras e loteá-las. Foram demarcados 5000 lotes, de medida variável entre 25 e 30 hectares. Logo chegaram migrantes provindos das primeiras colônias italianas do estado (principalmente Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Veranópolis), de modo que em 1896 a colônia já contava com cerca de 7.000 habitantes, em sua maioria italianos, incluindo alguns alemães, poloneses, russos e austríacos.[8] Em 1897, foi criada a Paróquia Santo Antônio, pertencente à Diocese de Porto Alegre, sendo o primeiro pároco o Pe. Antônio Pertile. Em 31 de março de 1898 a Colônia Guaporé é elevada a 3º distrito de Lajeado. Em 1900, a colônia possuía 13.727 habitantes. Frente ao desenvolvimento e a prosperidade, em 11 de dezembro de 1903, o Decreto Estadual nº 664 instituiu o município de Guaporé, tendo como primeiro Intendente Vespasiano Rodrigues Corrêa, empossado em 1º de janeiro de 1904.[9] Pouco depois de sua fundação, em 1910, Guaporé já possuía 30 mil habitantes, com 170 prédios e 1.020 moradores no centro, dotado de praça, telégrafo, correio e uma primitiva Igreja Matriz. Seus principais produtos agrícolas eram arroz, feijão, milho, soja, laranja e uva. Contava ainda com 82 casas de negócios e algumas indústrias, destacando-se na produção de aguardente, banha, vinho, ovos e queijo.[10] O Decreto Estadual nº 7.199, de 31 de março de 1938, elevou Guaporé à categoria de cidade. Ao longo dos anos, diversos distritos deixaram de pertencer ao território de Guaporé. Com a instalação do município de Marau em 1954, perdeu seu 7° distrito, o de Maria (posteriormente, município de Vila Maria), além de Casca, Evangelista e São Domingos do Sul, que formariam o município de Casca, também no ano de 1954. Em 1959, emancipou-se de Guaporé o distrito de Muçum, levando consigo o distrito de Vespasiano Corrêa. Já em 1960, Serafina Corrêa e Montauri. No ano de 1987, desmembraram-se os distritos de Dois Lajeados, Santa Bárbara e São Valentim do Sul. E em 1992, os distritos de Pulador e Vila Oeste, que passaram a constituir o novo município de União da Serra.[11] Os imigrantes Ao chegar na região, ao longo do século XIX, além dos baús de madeira e a saudade dos que permaneceram no velho continente, os imigrantes portavam um espírito arrojado para construir uma nova vida. Em 1907, com a chegada ao município da família Pasquali, inicia-se a atividade que eventualmente seria a mais importante do município, a da fabricação de joias folhadas. Os membros da família utilizaram o conhecimento que traziam consigo para montar a primeira das eventuais dezenas de pequenas indústrias joalheiras.[6] Após mais de cem anos de sua fundação, Guaporé centraliza-se como pólo comercial, industrial, cultural e turístico, que envolve dezenas de municípios da região. Também destacam-se as indústrias de calçados, metal-mecânica, confecções, implementos agrícolas e moveleiras, além de uma agricultura inovadora que impulsiona o município.

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